terça-feira, 4 de agosto de 2026

Suspeito de matar e esquartejar haitiana em Votorantim é preso no Suriname

Crédito: Gabrielle Camargo Pustiglione


Cinco meses após o feminicídio da haitiana Esther Estinor, de 39 anos, em Votorantim, a Polícia Civil prendeu, no sábado, 1º de agosto de 2026, o principal suspeito do crime, o ex-marido Anglade Charles, de 36 anos. Ele foi encontrado no Suriname e deportado para o Brasil. Após passar por audiência de custódia, o investigado permanece preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos.
 
Em coletiva de imprensa realizada na sede da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Sorocaba, nesta terça-feira (4), o delegado titular Rodrigo Ayres afirmou que a investigação mudou de rumo ainda nas primeiras horas após o registro do desaparecimento de Esther. Ao chegarem à residência da vítima, os policiais encontraram vestígios de sangue e iniciaram buscas na mata próxima, onde localizaram as primeiras partes do corpo.
 
"Usamos toda a tecnologia disponível, colocamos as equipes em campo e conseguimos esclarecer o crime rapidamente. Depois disso, nosso objetivo passou a ser localizar o autor", afirma.
 
Com a prisão preventiva decretada, a Polícia Civil descobriu que Anglade havia deixado o Brasil e solicitou a inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol. O trabalho de inteligência permitiu rastrear a rota de fuga até o Suriname, onde ele trabalhava informalmente e utilizava uma identidade chilena falsa para tentar despistar as autoridades.
 
Segundo Rodrigo Ayres, as autoridades surinamesas decidiram deportar o investigado diante da gravidade do crime e da inclusão do nome dele na lista internacional de procurados. "Ele foi localizado, detido pela polícia do Suriname, com apoio da Polícia Federal, e trazido ao Brasil. Foi uma ação complexa, que envolveu diversas agências internacionais para que conseguíssemos realizar essa prisão."
 
O delegado da 3ª Delegacia de Homicídios de Sorocaba, Camilo Pastor Veiga, destacou que a captura foi resultado de uma investigação ininterrupta desde o desaparecimento da vítima, registrado em 8 de março.
 
"Foi um trabalho de inteligência policial, com intercâmbio de informações entre a Polícia Civil, a Polícia Federal, o Ministério da Justiça, o Ministério das Relações Exteriores e agências internacionais. Essa força-tarefa permitiu que conseguíssemos prender Charles no Suriname", afirma.
 
De acordo com a investigação, Anglade não aceitava o fim do relacionamento com Esther. Após o crime, fugiu clandestinamente do Brasil com dinheiro recebido de um trabalho informal e pretendia seguir para o Haiti. No entanto, permaneceu no Suriname por falta de recursos.
 
Apesar da prisão, o inquérito ainda não foi concluído. A Polícia Civil pretende interrogar formalmente o suspeito e realizar novas diligências para localizar a cabeça e as mãos da vítima, únicas partes do corpo que ainda não foram encontradas.
 
“Tenho diligências para concluir e quero trazê-lo novamente para que indique onde estão a cabeça e as mãos da vítima”, finaliza, delegado Camilo Pastor Veiga
 
 
 
 
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
 
 
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