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| Foto: TV TEM/ Reprodução |
O que uma bituca de cigarro e um pneu velho têm em comum? Os
dois podem causar grandes danos ambientais quando são descartados de forma
irregular. A boa notícia é que eles também podem ser transformados em
matéria-prima por meio da economia circular.
Apesar do tamanho pequeno, a bituca de cigarro concentra
mais de 7 mil compostos químicos. Além dos problemas à saúde, provocados pelo
tabagismo, o descarte inadequado desse resíduo também preocupa os
ambientalistas.
Durante o processo de decomposição, que pode levar até 15
anos, o filtro se fragmenta em microplásticos que, junto com substâncias
tóxicas, contaminam o solo e os recursos hídricos.
Em Votorantim (SP), na região de Sorocaba, uma iniciativa
pioneira busca interromper esse ciclo. A única usina de reciclagem de bitucas
de cigarro do Brasil transforma o material em novos produtos por meio de um
processo de descontaminação e reaproveitamento da celulose presente nos
filtros.
Segundo o diretor da usina, Marcos Poiato, o desafio foi ir
além da tecnologia.
“Em Brasília, nós encontramos uma tecnologia que transforma
a bituca de cigarro em papel, mas não bastava só a tecnologia. Tivemos que
criar toda a logística pra disponibilizar esse projeto pro mercado, além de um
programa de educação ambiental. Esse é o maior desafio que temos”, explica.
Após a coleta, as bitucas passam por um processo químico de
descontaminação e são transformadas em uma massa de celulose utilizada na
fabricação de papel e outros produtos.
Atualmente, a empresa desenvolve itens como pranchas de
surfe, caixas de som, pistas de skate e até projetos para construção civil.
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| Foto: TV TEM/ Reprodução |
Em 16 anos de atuação, mais de 900 milhões de bitucas já
foram recolhidas pelo programa em todo o país. Hoje, cerca de 9 mil coletores
estão distribuídos em empresas, hospitais e instituições públicas.
O material reciclado também ajuda a gerar renda. A artesã
Nádia Xocaira utiliza o papel produzido a partir das bitucas para confeccionar
peças artesanais e capacitar outras mulheres.
"A gente faz um trabalho que pode gerar renda. Um
exemplo de economia circular. Não vai nada pro lixo. É muito gratificante
ensinar essas mulheres e levar um pouquinho do que eu faço. É uma sementinha
que eu estou plantando e que lá na frente sei que muita gente vai colher."
Pneus descartados viram “asfalto borracha”
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| Foto: TV TEM/ Reprodução |
Em Presidente Prudente, outro resíduo de difícil
decomposição está ganhando uma destinação sustentável. No Ecoponto municipal,
chegam por semana entre 700 e 900 pneus sem utilidade vindos de borracharias,
oficinas mecânicas e ações de limpeza urbana.
Quando são descartados de forma irregular, os pneus velhos
podem se transformar em um problema ambiental e de saúde pública.
“Desde a dengue, por causa da água parada que vira criadouro
do mosquito Aedes aegypti, até a poluição do solo. São vários os malefícios
desse descarte incorreto”, alerta o técnico da Secretaria Municipal de Meio
Ambiente, Defagner Marcon.
Uma das alternativas encontradas para reaproveitar esse
material é a utilização na produção do chamado asfalto-borracha. A tecnologia
vem sendo aplicada em trechos da Rodovia Raposo Tavares (SP-270) e utiliza a
borracha triturada dos pneus na composição da massa asfáltica.
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| Foto: TV TEM/ Reprodução |
Segundo a concessionária responsável pela rodovia, cerca de
360 toneladas de material são reaproveitadas por mês. Desse total,
aproximadamente 15% correspondem à borracha reciclada.
Para o coordenador de qualidade e pavimento da
concessionária, Eduardo Takai, a tecnologia traz ganhos tanto para a
infraestrutura quanto para o meio ambiente.
“Ele tem um ganho de resistência e elasticidade. Na massa
asfáltica, proporciona uma vida útil maior e contribui para a redução de
trincas e afundamentos do pavimento. ”, explica.
Além da borracha dos pneus, parte do asfalto retirado das
rodovias também é reaproveitada durante as obras, reduzindo a necessidade de
novas matérias-primas.
Presidente Prudente conta com três Ecopontos utilizados para
o descarte de resíduos como papel, plástico, metal, vidro, móveis usados, pneus
velhos e óleo de cozinha. Confira abaixo os endereços:
- Ecoponto Jardim Cambuci (Zona Leste):
Rua João Lopes do Nascimento com a Rua Rotary Clube
- Ecoponto Jardim Sabará (Zona Oeste):
esquina da Rua Adelino Rodrigues Gatto com a Rua Afonso
Vincoletto;
- Ecoponto Residencial Bongiovani:
Rua Maria Lenita de Macedo Bongiovani, s/n.
Fonte: Adriano Baracho, Aline Costa, Thales Rodrigues,
Pâmela Ramos, Vinícius Pacheco, TV TEM
g1 Bauru e Marília
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