Dois clientes de uma casa de câmbio em Votorantim (SP)
entraram com processos contra a empresa por falta de repasse dos dólares
comprados. A companhia atuava como intermediadora, enquanto outra empresa do
mesmo grupo era responsável por receber e repassar o valor convertido.
Ao g1, as vítimas,
que preferiram não se identificar, relataram que compraram dólares entre 2024 e
2025, mas até hoje não receberam os valores. Elas entraram com o processo em
dezembro de 2025.
"Tenho mais de R$ 40 mil de prejuízo. Comprei 9 mil
dólares e perdi o valor. Quando questionei, a intermediadora disse que a outra
empresa não estava repassando os dólares e, por isso, também não conseguia
fazer os pagamentos nos vencimentos", relata um dos clientes.
A segunda companhia, localizada na capital paulista, também
é alvo das ações, que têm como objetivo reaver o dinheiro pago e não recebido,
além de buscar indenização por danos morais.
"Investi R$ 27 mil. Ao todo, fiz dois aportes, com
retiradas previstas para novembro e agora para março. Não recebi o pagamento e
entrei com processo contra a empresa", complementa outro consumidor.
Ainda conforme os relatos, os clientes mantinham contato
apenas com a intermediadora responsável pelas ofertas e contratos. A outra
empresa não era citada durante as negociações.
"Quem sempre ofertou as moedas foi a intermediadora.
Eles enviavam, pelo WhatsApp e pelo aplicativo, as cotações das moedas futuras.
Os pagamentos nunca eram feitos em nome da empresa, porque, segundo eles, não
queriam ter vínculo direto", relata.
Segundo Larissa Moreno, advogada em Votorantim, a modalidade
oferecida pela empresa é comum em casas de câmbio. Na operação, o cliente paga
antecipadamente para garantir o preço do dólar em uma data futura.
"Se a pessoa trava o dólar em R$ 5,30 para comprar no
futuro e a cotação sobe para R$ 5,80, pagará os R$ 5,30 combinados. Dessa
forma, se a cotação subir até o dia da retirada, ele paga o valor previamente
combinado", explica.
De acordo com a advogada, as ofertas da intermediadora
garantiam aos clientes a compra de dólares por preços inferiores aos do
mercado.
"Enquanto o dólar comercial girava entre
aproximadamente R$ 5,25 e R$ 5,50, a empresa oferecia contratos com valores bem
inferiores, o que tornava a proposta muito atrativa. O cliente fazia um
depósito antecipado para garantir a cotação prometida e receber a moeda em data
futura", explica.
Ainda conforme Larissa, trata-se de um tipo de operação que,
pela lei brasileira, só pode ser realizada por instituições financeiras
autorizadas pelo Banco Central do Brasil. No entanto, segundo ela, as
companhias citadas não possuem essa autorização e acumulam mais de 100
processos.
"No decorrer dos processos, estão aparecendo mais
empresas atreladas ao grupo. Todas vão responder em razão da responsabilidade
solidária", complementa.
Conforme documentos apurados pelo g1, a Justiça determinou, no dia 23 de janeiro de 2026, o
bloqueio de bens e valores das empresas. Até o momento, nenhuma sentença foi
expedida.
O que dizem as empresas
Ao g1, a
intermediadora BM Corporate reafirmou que atua apenas na intermediação das
operações e que não participa da execução, não recebe valores dos clientes e
não realiza a liquidação das operações de câmbio.
Ainda conforme a empresa, a remuneração ocorre somente na
forma de comissão, após a efetiva liquidação da operação diretamente entre o
cliente e a instituição responsável. A companhia informou que possui um
contrato formal de intermediação, denominado "Acordo para Indicação de
Clientes".
A nota também afirma que o descumprimento contratual partiu
da outra empresa, que deixou de liquidar operações e honrar pagamentos,
incluindo as comissões. A BM declarou que, diante desse cenário, adotou todas
as medidas legais cabíveis.
De acordo com a companhia, a ação judicial busca o
cumprimento integral das obrigações assumidas no acordo, incluindo a
regularização das operações dos clientes por ela indicados e o pagamento das
comissões devidas.
O g1 tentou
contato com a outra companhia, mas, até a última atualização desta reportagem,
não havia obtido resposta.
Fonte: g1 – Sorocaba e
Jundiaí
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