Cinco meses após o feminicídio da haitiana Esther Estinor,
de 39 anos, em Votorantim, a Polícia Civil prendeu, no sábado, 1º de agosto de
2026, o principal suspeito do crime, o ex-marido Anglade Charles, de 36 anos.
Ele foi encontrado no Suriname e deportado para o Brasil. Após passar por
audiência de custódia, o investigado permanece preso no Centro de Detenção
Provisória (CDP) de Guarulhos.
Em coletiva de imprensa realizada na sede da Divisão
Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Sorocaba, nesta terça-feira
(4), o delegado titular Rodrigo Ayres afirmou que a investigação mudou de rumo
ainda nas primeiras horas após o registro do desaparecimento de Esther. Ao
chegarem à residência da vítima, os policiais encontraram vestígios de sangue e
iniciaram buscas na mata próxima, onde localizaram as primeiras partes do
corpo.
"Usamos toda a tecnologia disponível, colocamos as
equipes em campo e conseguimos esclarecer o crime rapidamente. Depois disso,
nosso objetivo passou a ser localizar o autor", afirma.
Com a prisão preventiva decretada, a Polícia Civil descobriu
que Anglade havia deixado o Brasil e solicitou a inclusão do nome dele na
Difusão Vermelha da Interpol. O trabalho de inteligência permitiu rastrear a
rota de fuga até o Suriname, onde ele trabalhava informalmente e utilizava uma
identidade chilena falsa para tentar despistar as autoridades.
Segundo Rodrigo Ayres, as autoridades surinamesas decidiram
deportar o investigado diante da gravidade do crime e da inclusão do nome dele
na lista internacional de procurados. "Ele foi localizado, detido pela
polícia do Suriname, com apoio da Polícia Federal, e trazido ao Brasil. Foi uma
ação complexa, que envolveu diversas agências internacionais para que
conseguíssemos realizar essa prisão."
O delegado da 3ª Delegacia de Homicídios de Sorocaba, Camilo
Pastor Veiga, destacou que a captura foi resultado de uma investigação
ininterrupta desde o desaparecimento da vítima, registrado em 8 de março.
"Foi um trabalho de inteligência policial, com
intercâmbio de informações entre a Polícia Civil, a Polícia Federal, o
Ministério da Justiça, o Ministério das Relações Exteriores e agências
internacionais. Essa força-tarefa permitiu que conseguíssemos prender Charles
no Suriname", afirma.
De acordo com a investigação, Anglade não aceitava o fim do
relacionamento com Esther. Após o crime, fugiu clandestinamente do Brasil com
dinheiro recebido de um trabalho informal e pretendia seguir para o Haiti. No
entanto, permaneceu no Suriname por falta de recursos.
Apesar da prisão, o inquérito ainda não foi concluído. A
Polícia Civil pretende interrogar formalmente o suspeito e realizar novas
diligências para localizar a cabeça e as mãos da vítima, únicas partes do corpo
que ainda não foram encontradas.
“Tenho diligências para concluir e quero trazê-lo novamente
para que indique onde estão a cabeça e as mãos da vítima”, finaliza, delegado
Camilo Pastor Veiga
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul